Hoje vão conhecer as três histórias finalistas do concurso “Histórias de Encantar”. São três lindas histórias: Martina, a pequena sereia; Maria e o sonho azul e Alice no jardim maravilhoso das fadas.
Depois de ler as três histórias, deixem no comentário a vossa votação, para que antes do Natal tenhamos os resultados para atribuição do prémio Ouro, Prata e Bronze.
Boa leitura e participem!

Martina, a pequena sereia
por Bruna
“Era uma vez uma pequena sereia que vivia numa cidade maravilhosa bem no fundo do Pacífico. Todos os dias ela brincava com os peixes e com os golfinhos às escondidas por entre as algas e as pedras do fundo do mar. Brincavam também às corridas para ver quem chegava primeiro a um velho navio que tinha naufragado há muitos e muitos anos. A pequena sereia que se chamava Martina, tinha muita curiosidade sobre a história daquele navio. Sabia que tinha afundado quando a sua mãe era ainda pequenina e já ela tinha brincado às escondidas com os seus amiguinhos mas Martina sempre teve muita curiosidade sobre o que teria acontecido e quem teriam sido os seus donos.
Uma bela manhã, depois de ter ficado sózinha, Martina foi visitar o navio. Queria ver com muita atenção todos os cantinhos e estudar todos os objectos para ver se descobria alguma coisa. Depois de horas a nadar por entre os quartos e salas daquele grande e velho navio, Martina encontrou um pequeno baú. Quando o abriu ficou muito admirada pois o baú estava cheio de moedas antigas e vários colares de pérolas. Pegou num dos colares e foi procurar a mãe para ver se descobria mais alguma coisa.
No início, a mãe não queria contar-lhe nada e ficou até muito aflita quando viu o colar de pérolas mas depois acabou por dizer-lhe:
- Muito bem, Martina, hoje vou contar-te toda a história sobre aquele velho navio.
Depois de quase uma hora a ouvir a mãe, Martina nem queria acreditar! Afinal, aquele era um verdadeiro mistério. Era a história da sua mãe e de toda a sua família. A mãe da pequena sereia acabou por contar que aquele navio tinha pertencido à sua família e que ela tinha sido em tempos humana. Uma linda menina, de lindos caracóis loiros. O navio tinha naufragado pois tinha batido contra uma grande rocha numa noite de tempestade. Os pais tinham morrido afogados, assim como toda a tripulação. A mãe da Martina tinha ficado presa numa das divisões do navio durante muito tempo e acabou por desmaiar. Quando acordou, estava deitada numa grande cama flutuante numa espécie de sala de cristal. Era tudo muito cintilante, as paredes de vidro deixavam ver que estavam no fundo do mar. Assustada, começou a chorar muito alto e logo aparececeu um lindo golfinho e uma sereia que a acalmaram e lhe disseram que ali estava segura, nada podia acontecer-lhe de mal. Tinha sido salva pelo grande peixe lua num dos seus passeios solitários. Como não sabia o que fazer com ela, acabou por trazê-la para o grande palácio da Raínha Yamanjá, a magestade dos mares, senhora dos oceanos, sereia sagrada, raínha das águas salgadas chamada também de Deusa das Pérolas. Depois de muitos dias a chorar com saudades dos pais, a pequena menina acabou por adaptar-se áquele novo mundo, que era muito lindo, cheio de coisas maravilhosas. A raínha ainda a levou à praia duas ou três vezes para ela brincar na areia mas numa noite de lua cheia decidiu transformar a menina numa linda sereia e deu-lhe o nome de Cristal. Os anos foram passando e a pequena sereia acabou por esquecer tudo o que lhe tinha contecido e a sua vida humana. Vivia num lindo palácio, com tudo o que podia imaginar, tinha muitos amigos e era tratada como uma princesa pois a Raínha Yamanjá tornou-a sua filha, sua única herdeira.
Martina nem queria acreditar naquela história fantástica da sua mãe! Sentiu muito orgulho de descender de uma família humana mas também sentiu uma certeza: aquela era a sua casa, a sua família querida e sentiu uma vontade muito grande de abraçar a avó. Mãe e filha, duas lindas sereias, resolveram então visitar a grande raínha Yamanjá e passar com ela uma agradável tarde, conversando e comendo saborosos frutos do mar.”

MARIA E O SONHO AZUL
por Manuela
“Estava sentada num banquinho, Maria a menina mais linda da aldeia quando uma forte rajada de vento bateu com força na janela partindo o vidro da cozinha da sua humilde casinha.
“Que sorte a minha” pensou, “agora tenho de comprar vidro novo e eu sem dinheiro”.
Tinha ficado órfã de mãe e seu pai trabalhador do campo ganhava pouco pois só lucrava se conseguisse vender os cultivos que fazia, e eram cada vez menos.
Dona de umas mãos de fada lá fazia pequenos trabalhos de bordar com cores bonitas, mas também só os fazia quando tinha dinheiro para comprar os panos e linhas.
-Que pouca sorte a minha, que falta me faz a minha mãezinha.
Quando a mãe morreu, prometeu-lhe que nunca a abandonaria mesmo lá do céu, mas ela sentia-se cada dia mais só.
Limpando as lágrimas, foi descascando as magras batatas para fazer um caldinho para seu pai que vinha sempre faminto.
Olhando para o chão viu uma pedra que brilhava numa luz de cor azul, e pensou “Que é isto? Concerteza foi o que partiu a janela…”
-Que pedra linda - e agarrando na sua mão a pedra abriu-se e saiu de lá uma fada lindíssima com muitas cores e deitando raios luminosos.
Pegando a mão da menina levou-a a ver pessoas ainda mais pobres que ela e disse-lhe:
-Maria, mesmo com a tua pouca sorte, vê como existem pessoas que nem casa têm para viver, tu ainda tens uma casa mesmo que seja pobre, tens um pai, batatas e alguns legumes para fazeres sopa, sabes bordar…
- Há pessoas que nem têm uma pedra para descansar a cabeça.
-Que tristeza…disse a Maria chorando ao ver uma menina descalça cheia de frio pedindo nas ruas.
-Mas a tua vida vai mudar, prometo…disse a fada sorrindo.
Desaparecendo no ar, a menina viu-se novamente em casa como que por magia.
-Que coisa estranha – disse - Estaria a sonhar? Devo ter dormido.
Quando de repente ouve o pai aos gritos, chegando a casa muito ofegante.
-Filha,…encontrei um tesouro…estava enterrado na nossa horta…
-Que maravilha! - disse a Maria.
E a partir daquele dia nunca mais passaram fome, mas a Maria não esqueceu aquela menina que tinha visto a pedir sozinha nas ruas e levou-a para o seu palácio, e fez dela a sua melhor amiga, vestindo-a com as melhores roupas.
Nunca esquecendo aquele dia em que o vento lhe partiu a janela, tudo foi um sonho ou a fada que era sua mãe, tinha cumprido o que lhe tinha dito ao morrer.”

A Alice no jardim maravilhoso das fadas
por DiogoDrake
“A pequena Alice acordou naquele dia cheia de energia. Estava de férias de Natal! As aulas tinham acabado, os testes tinham acabado e as notas iam ser boas. A mãe já tinha prometido uma prenda maravilhosa e ía ver os avós que já não via há muito tempo. Estava feliz.
Calçou as suas botas, vestiu um casaco quentinho e saiu para o jardim. Estava muito frio e a mãe disse-lhe para colocar umas luvas e um gorro pois estava quase a nevar. A nevar! Talvez pudesse fazer um boneco de neve como no ano passado! Tinha feito com a ajuda do pai, um enorme boneco de neve, com um chapéu e um grande nariz vermelho com uma bola da árvore de Natal. Tinha ficado perfeito.
Olhou à volta para ver o que podia fazer enquanto a neve não chegava e ficou intrigada com uma luzinha que brilhava bem no fundo do jardim. Correu até lá mas a luz desapareceu. Já vinha embora quando ouviu uma voz que lhe dizia muito baixinho:
- Não vás embora, Alice. Preciso de ti.
Ficou espantada com aquela vozinha tão doce e nem queria acreditar quando viu que afinal aquela luz vinha das pequenas asas de uma menina muito pequenina que estava debaixo da cerejeira da mãe.
- Mas, quem és tu?! Como podes ser tão pequenina? Quase que cabes na palma da minha mão! E tens asas! Como é possível? Pareces uma pequena fada!
- E sou, Alice. Sou a fada dos sonhos, nunca ouviste falar de mim? Eu vivo nos jardins das casas onde existem meninos e meninas pequeninas como tu. Olha ali para os amores perfeitos da tua mãe, não vês a minha casinha?
Alice olhou intrigada para o canto do jardim e viu uma casinha linda, maravilhosa, com janelas douradas e uma chaminé branca.
- Mas como é que a minha mãe nunca te viu? Ela anda sempre aqui no jardim…
- Ela não me vê, nem à minha casinha. Só as crianças como tu, percebes?
- Sim, percebo. Mas, diz-me, porque precisas da minha ajuda? – perguntou a Alice baixinho. Não queria que a mãe a visse ali a falar sózinha.
- Olha, vive um menino aqui ao lado, na casa amarela. O jardim dele está seco, sem flores e sem árvores. Ontem ouvi-o a chorar mas não sei o que se passa. Talvez tu possas descobrir. Antes via-o no jardim a correr e a brincar com um cãozinho branco. Mas agora nunca o vejo.
- Eu sei o que se passa, pequena fada. É o papá dele, está de viagem há muito tempo e o Tiago acha que ele não vem para casa no Natal. Está num país distante a ajudar pessoas doentes pois é médico. Como podemos ajudar?
- Ah, então é isso. Bom, vou resolver já esta situação, não te preocupes. Cabe-te a ti visitar o teu amiguinho e dizer-lhe para não chorar mais pois no Natal o seu papá estará em casa. Prometo! – disse a fada dos sonhos sorridente – Adeus, Alice. Tenho que voltar. Está muito frio.
De repende, começou a nevar e em poucas horas o jardim da Alice ficou todo branquinho.
No dia seguinte, logo de manhã, foi visitar o pequeno Tiago. Quando este lhe abriu a porta, gritou feliz:
- Alice, não vais acreditar! O meu papá acabou de telefonar! Amanhã já estará em casa, para passarmos o Natal todos juntos! Não é maravilhoso?
- É maravilhoso sim, Tiago! – respondeu a pequena Alice sorridente – É um sonho realizado, não é? Fico muito feliz por ti! Anda, vem brincar comigo para o meu jardim. Vou mostrar-te as minhas flores preferidas…”